Serviços / Edifício Tesla
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Edifício Tesla
iParque - lote 16, Coimbra. 2011

O concurso público de concepção foi lançado pela entidade
de capitais municipais e privados, promotora e gestora
do Parque de Inovação em Ciência, Tecnologia e Saúde
– iParque- localizado nos arredores a sul da cidade de Coimbra.
O iParque, que numa primeira fase ocupa uma área de aproximadamente
30 hectares, prevê um total de dezoito lotes, três destinados a instalar
unidades de serviços comuns e administrativos e os restantes quinze
destinados a acolher empresas de alto potencial tecnológico.

O programa definido pelos termos de referência do concurso,
prevê a construção dum edifício empresarial, que dispondo
de um reduzido e simplificado conjunto de serviços e espaços
comuns partilhados pelas empresas - salas de reunião, serviços
administrativos, de secretariado, de atendimento e acompanhamento
em eventos, comunicações e informática, correio, videoconferência,
cafetaria - possa oferecer espaços locáveis (entre 25 a 30 unidades)
com áreas compreendidas entre os 100m2 e os 350m2, devidamente
acabados e infraestruturados (em open space) prontos a utilizar
pelas empresas. O plano de loteamento prevê para este lote,
com uma área de 5577.5m2, uma área bruta de construção total
de 6000m² repartida por três pisos acima do solo, prevendo-se ainda
um piso em cave para estacionamento. Foi também estabelecido
no programa um limite máximo orçamental de 3 000 000.00€ 
para o valor da empreitada de execução da obra.

As restritivas limitações orçamentais, que numa abordagem à priori,
deduzindo o custo da área de estacionamento e arranjos exteriores,
nos conduziam a um valor de 475€/m2 para os 6000m2 de área bruta
acima do solo, obrigaram-nos a ponderar todos os aspectos construtivos
e técnicos envolvidos na concepção do edifício. Houve também a preocupação
de assegurar soluções técnicas globais de reduzidos encargos de exploração
e manutenção.

Atendendo ao elevado peso dos sistemas de climatização no custo total
de obras desta dimensão, impostos por abordagens acríticas
aos regulamentos técnicos nacionais em vigor, a estratégia de projecto
passou por conceber uma estrutura espacial que minimizando os volumes
de ar a tratar por processos mecânicos, valorizasse os processos naturais
de ventilação e climatização. Uma das consequências desta estratégia
foi opção de ventilar naturalmente toda o piso enterrado de estacionamento,
que ocupa o piso -1, através do pátio central exterior, que “desceu” até ao nível
do seu pavimento. A solução técnica concebida, com uma estimativa de custo
para os equipamentos de AVAC de apenas 9% do valor global da obra,
associada a uma envolvente de elevado desempenho térmico passivo, permitiu
que o edifício alcançasse uma elevada classe energética com um reduzido
investimento financeiro. 

Um outro aspecto determinante na viabilização financeira da solução
arquitectónica apresentada a concurso foi a criteriosa concepção e design
da envolvente, com especial destaque na fachada, onde a prevalência
dos elementos opacos em relação aos elementos envidraçados, permitindo
enormes reduções de custo, não comprometeram o elevado desempenho
e qualidade da iluminação natural dos espaços interiores de trabalho.  

Ancorados nas quatro colunas de comunicações verticais que servem
os quatro pisos de cada um dos blocos, cada um dos doze (4x3) pisos
elevados permite configurar um layout que pode evoluir de uma até três salas,
oferecendo na configuração base proposta um total de 27 salas
com áreas úteis diferenciadas: 90m2 (x8); 101.5m2 (x3); 134.7m2 (x3);
163.0m2 (x1); 165.3m2 (x1); 171.3m2 (x2); 183.8m2 (x3); 193.8m2 (x1);
236.8m2 (x1); 263.6m2 (x2); 357.1m2 (x2).

Esta flexibilidade oferecida pelas diversas possibilidades de configuração,
assenta na concepção duma planta tipo modular para cada um dos blocos,
concentrando-se acessos, instalações sanitárias e infra-estruturas técnicas
de suporte no núcleo central, libertando toda a área útil envolvente,
de aproximadamente 447m2 nos Blocos A e D, e de 328m2 nos Blocos B e C.
Deste modo, a modularidade permite flexibilidade e esta confere ao edifício
o carácter evolutivo na sua ocupação e exploração comercial.



Cliente: Coimbra Inovação Parque – Parque de Inovação em Ciência, Tecnologia e Saúde EM, S.A.

Consultores: engº Anibal Lopes (estruturas); engº João Miranda
(redes hidráulicas); engº Paulo Aleixo (instalações eléctricas e ITED);
arqtº Bruno Vaz Lopes (segurança contra incêndios); engº Ivan Simões
(comportamento térmico e condicionamento acústico); engº Ricardo Rocha
(A.V.A.C); arqtª Helena Duarte (paisagismo)