Sustentabilidade

Muito para além dum tema em moda, a sustentabilidade está a tornar-se
numa questão de sobrevivência à escala global, na medida em como seremos
capazes de manter os padrões de vida e de conforto alcançados
nas economias mais desenvolvidas, consumindo muito menos recursos
naturais e energéticos. É neste contexto evolutivo e cada vez mais exigente,
que o tema da sustentabilidade aplicado ao ambiente construído
e aos edifícios tem vindo a adquirir uma importância cada vez maior.
Actualmente em Portugal, cerca de um terço do consumo de energia
e emissões de CO2 são provenientes dos edifícios em que trabalhamos
ou habitamos. A União Europeia aprovou em 2010 a estratégia 20/20/20,
onde se definem como metas a alcançar para 2020, a redução em 20%
dos consumos energéticos através do aumento da eficiência energética,
a redução em 20% das emissão de gases com efeitos de estufa
relativamente aos níveis de 1990, e que 20% da energia consumida
tenha origem em fontes renováveis. Neste sentido, foi aprovada
a nova directiva europeia de desempenho energético dos edifícios
(EPBD 2010/31/EU), onde se estabelece que todos os estados membros
devem assegurar que todos os novos edifícios a construir sejam
de balanço energético (quase) zero, já a partir de 2019 para novos
edifícios ocupados por entidades públicas, e a partir de 2021 para
a totalidade. Na resposta a estes desafios, os arquitectos terão
um papel crucial a desempenhar

Desde os nossos primeiros projectos – Casa na Galvana (Faro, 1999),
Casa na Pousada (Coimbra, 2003),
Casas da Fundação Stela e Oswaldo Bonfim (Póvoa de Lanhoso, 2003),
Casas Pátio no Areeiro (Coimbra, 2005) -, que temos incorporado
de forma coerente e consistente, as estratégias bioclimáticas
no nosso processo de concepção e desenho. Entendendo-as
como forma de contextualizarmos as nossas propostas,
somos sensíveis à topografia e orientação do local, ao clima da região,
a uma materialidade ligada à cultura local. A experiência acumulada
e comprovada ao longo deste percurso permite-nos hoje afirmar,
sem qualquer margem para dúvida que, ao contrário de outros países
do centro e norte da Europa, o clima temperado que o nosso País oferece,
possibilita-nos alcançar excelentes condições de conforto interior
com baixos custos energéticos de exploração, sem que para tal tenhamos
que recorrer a sistemas construtivos de elevado índice tecnológico,
nem a complexos e dispendiosos sistemas de climatização.
Para alcançarmos estes resultados, temos colocado o design inteligente
no topo da nossa síntese e prática arquitectónica.

Através dos mais recentes projectos – no Edifício Sede da Bettertech
(Coimbra, 2008), no concurso da Escola EB23
de Santa Maria da Feira (2009), no atelier da P3P (Coimbra, 2010),
ou na Casa Cork1 (Coimbra, 2011) -, temos evoluído, desenvolvido
e consolidado inovadoras abordagens sistemáticas aos edifícios,
a nossa visão de ARQUITECTURA SUSTENTÁVEL:
almejamos criar Edifícios «Verdes», numa imagem formalmente adequada
ao contexto específico do projecto - cliente, lugar, programa -,
colocando de forma sustentada no cerne da estratégia de design,
as vertentes da eficiência energética, do design bioclimático,
da incorporação de produtos, sistemas e técnicas sustentáveis,
da inclusão de sistemas e equipamentos de produção de energia a partir
de fontes renováveis, numa abordagem holística, integral e multidisciplinar
do pensamento e práxis arquitectónica.

Estamos deste modo preparados para, em conjunto com os nossos clientes,
continuarmos a dar respostas cada vez mais inovadoras às crescentes
exigências de redução dos nossos actuais padrões de consumo
de recursos energéticos e naturais, dando desta forma o nosso contributo
para construirmos um futuro mais sustentável.